Créditos
Sobre esta música
Odeon é uma das composições mais famosas do pianista e compositor brasileiro Ernesto Nazareth. Composta e publicada em 1909, foi originalmente apresentada como um tango brasileiro para piano. Com o passar do tempo, porém, a obra tornou-se profundamente ligada ao repertório do choro e hoje é considerada uma das peças mais representativas de Nazareth.
Django Reinhardt não gravou Odeon. A composição pertence à tradição musical brasileira e não possui ligação histórica direta com Django ou com o Manouche Jazz original. Sua harmonia sofisticada, suas síncopas, sua melodia marcante e seu caráter instrumental, no entanto, fazem dela um excelente material para interpretações em jazz acústico.
Caráter musical:
Odeon combina a elegância da escrita pianística europeia com a síncope e a linguagem rítmica da música popular brasileira do início do século XX. Nazareth classificou a obra como tango brasileiro, embora hoje ela seja frequentemente interpretada como choro. Na edição original aparece a indicação gingando, sugerindo uma execução com balanço e movimento rítmico. Um detalhe particularmente incomum está na seção inicial, em que a melodia principal aparece com destaque na mão esquerda, enquanto a direita executa os acordes acima dela.
Conexão com o Manouche Jazz:
Odeon não é uma composição de Manouche Jazz, mas o choro e o Gypsy Jazz compartilham várias características que tornam o encontro entre os dois estilos especialmente natural: instrumentação acústica, acompanhamento rítmico marcante, virtuosismo melódico, harmonia colorida e liberdade para improvisação. Em arranjos para guitarra, cavaquinho, violino ou outros instrumentos acústicos, Odeon pode funcionar perfeitamente sem perder sua identidade brasileira.
Fatos interessantes:
- Odeon foi composto por volta de 1909 e publicado no mesmo ano pela Casa Mozart, no Rio de Janeiro.
- O título faz referência ao Cinema Odeon, no Rio de Janeiro, onde Nazareth tocava piano na sala de espera a partir de 1909. Algumas pessoas frequentavam o local especialmente para ouvi-lo e chegavam até a não assistir ao filme.
- Nazareth dedicou a composição à empresa Zambelli & Cia., proprietária do cinema.
- A obra foi originalmente classificada como tango brasileiro. Esse gênero brasileiro não deve ser confundido com o tango argentino e possui forte relação histórica com a música que posteriormente passou a ser identificada como choro.
- O próprio Ernesto Nazareth gravou Odeon em 1912 ao lado do flautista Pedro de Alcântara.
- A composição alcançou sua maior popularidade várias décadas depois. Em 1966, o poeta Vinícius de Moraes escreveu uma nova letra para a melodia a pedido da cantora Nara Leão.
- Sua forma tradicional é A–B–A–C–A, estrutura frequentemente encontrada no choro e em tradições instrumentais brasileiras relacionadas.
Odeon representa perfeitamente a posição singular de Ernesto Nazareth entre a música de concerto europeia e a vibrante música popular urbana do Rio de Janeiro. Sua escrita pianística sofisticada, seu balanço brasileiro inconfundível e sua força melódica transformaram uma obra ligada à sala de espera de um cinema em um dos grandes clássicos da música instrumental brasileira.
Grilles disponíveis
Grilles de acordes e arranjos publicados para esta música.